sexta-feira, 2 de outubro de 2009

PMA maquia 'Beco dos Cocos'

Pauta: Revitalização parcial do ‘Beco dos Cocos’
Veículo: site de variedades da cultura sergipana, direcionado ao público de 18 a 35 anos.

“Expor roupa suja ao público, por meio da arte, nunca leva a uma obra-prima”. A frase do cineasta francês François Truffaut, à primeira leitura, contraria os paradigmas e conceitos artísticos da pós modernidade. Ao transitar pelo ‘Beco dos Cocos’, travessa localizada próximo aos mercados centrais de Aracaju, o pensamento de Truffaut, dito em meados dos anos 70, se encaixa como uma luva no cenário do local.
Numa tentativa de resgatar a passarela, reduto boêmio dos anos áureos dos cabarés - ou seja, da época em que meu pai sonhava em ser rock star e tinha sonos eróticos com a professora de Matemática - e nos últimos anos, ponto de prostituição e tráfico de drogas, a Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), através da Fundação Municipal de Cultura,Turismo e Esporte (Funcaju), levou ao local, entre os dias 21 e 25 de setembro, grafiteiros e artistas plásticos para uma “operação de embelezamento” do local, como uma das ações comemorativas da ‘Semana Nacional de Trânsito’.
A intensão da prefeitura é interessante. Fazer com que um local marginalizado da cidade passe a ser, no mínimo, transitável por cidadãos comuns sem correr risco de vida. A transeunte Nete Lima, se admira com a “maquiagem” do beco. “Não passava por aqui. Estou passando agora, porque achei diferente, mas continuo com medo”, comenta.
Não resta dúvidas, que o ‘Beco dos cocos’ se tornou um painel a céu aberto de obras vanguardistas, que misturam fotografia e grafite, de artistas como Alfi Gristelli, Chagas e Lúcio. Infelizmente, a mudança estagnou no colorido. Francisco Chalegre, 7, que passeia com os pais pelo local, percebe a falta de estrutura. “Achei um pouco bonito, mas não gostei do fedor”, ressalta com a espontaneidade de menino.
É fato, que a Prefeitura se preocupou mais com a arte do que em melhorar as rachaduras das calçadas e fazer uma lavagem no local. Além da falta de uma intensificação na segurança e aplicação de políticas públicas ativas, em relação aos traficantes e usuários de drogas, que continuam a tomar conta do local durante a noite.
De acordo com um soldado da Polícia Militar, que não quis ser identificado, mais pessoas transitam hoje em dia pelo local, mas o seu trabalho não mudou muito. “Não adianta deixar tudo colorido e não educar o cara que fuma crack. Eles embelezaram o lugar, mas não embelezaram a vida”. Frisa o soldado que, entende mais sobre o poder da arte do que os administradores municipais.



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