sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Escola Laonte Gama sofre com falta de segurança

Falta papel para a aplicação de provas, falta lixeiro nas salas de aula, falta giz para os professores e uma série de outros materiais comuns em uma escola, falta água potável para os alunos. Mas o que falta mesmo todos os dias é segurança. Na Escola Municipal Laonte Gama, localizada no bairro Santa Maria os roubos são comuns quase que diariamente. Prática que, aliás, acontece entre os próprios alunos do ensino fundamental, entre seis e 17 anos, são lápis, canetas, sandálias, estojos e mochilas que somem no decorrer da manhã. Os professores também têm que ficar atentos, nada de celular ou outros equipamentos eletrônicos, nem mesmo relógios e bijuterias. As salas são trancadas com cadeado, mas mesmo assim não evita que marginais entrem na escola para roubar, “estamos dando aula e de repente somos abordados na porta da sala por jovens drogados que querem algum dinheiro”, diz uma das professoras da escola que prefere não dizer o nome.
Só este ano ocorreram dois grandes assaltos. A escola foi invadida e mantida “refém” durante o horário da aula e por sorte não houve feridos. Portas, cadeiras velhas, grades e janelas são sempre levadas, mas o alvo principal é a merenda escolar: “eles entram aqui e pegam logo a merenda, com isso temos que mandar os alunos para casa”, diz o coordenador Glinan Santos. Muitos alunos só freqüentam a escola por causa da comida, que para muitos é a única refeição do dia. Com o roubo da merenda, as aulas ficam suspensas até que uma nova merenda seja enviada à escola, o que leva geralmente de 15 a 20 dias. O coordenador tem uma coleção dos boletins de ocorrência, que faz questão de manter guardados em sua mesa. Ele diz também que não adianta reclamar, a Secretaria de Segurança promete policiamento, mas não há sinal de policiais na região, patrulhamento e fiscalização. “Na época desses dois assaltos nem uma ronda foi feita no local e ninguém foi preso, são moradores do bairro mesmo que assaltam a escola”, conclui Glinan.
O trabalho para esses profissionais tem sido muito difícil. O nível de stress é alto entre os educadores que lidam com uma série de problemas que fogem da simples arte de ensinar, “tem alunos que chegam drogados aqui, sem tomar banho, doentes”, comenta uma professora que não quer se identificar. O coordenador ainda acrescenta que as famílias dos alunos também são bastante problemáticas, tudo é motivo de processo e claro bastante briga, ele costuma até brincar que lá, todos sabem os direitos, mas não, os deveres. As condições de trabalho também são bastante desfavoráveis. A escola não oferece nenhuma estrutura digna de abrigar crianças. As salas são quentes e abafadas, no inverno há goteiras e umidade, os alunos sentam no chão e falta material didático para os professores. “Os alunos vem sem caderno e sem lápis, não conseguem nem copiar o assunto, que dirá ter acesso a livros”, afirma Roberta, professora há cinco anos no Laonte.
É mesmo cada um por si. A escola pode mudar a vida dessas crianças, contribuindo para que talvez um dia possam deixar de fazer parte da dura realidade da “Terra Santa”. Se a escola não funcionar mais, essas crianças vão ficar nas ruas pedindo esmolas ou catando lixo na lixeira da Terra Dura. É mesmo de se admirar a coragem e a luta desses professores. Cabem as autoridades competentes que melhorem a segurança no local garantindo um direito que é de cada cidadão.

Renata Ribeiro Mattos

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