sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Arquitetura Sustentável é destaque em Sergipe


Casa popular em estrutura de bambu projetada pelo arquiteto Ricardo Nunes


As questões de sustentabilidade chegaram ao enredo da arquitetura e do urbanismo de forma incisiva, trazendo novos paradigmas, no final da década de 1980 e início da década de 1990. E hoje, a sustentabilidade é o ponto mais que relevante no conceito de desenvolvimento.
O desenvolvimento sustentável assegura que sejam supridas as necessidades presentes, sem comprometer futuras gerações a satisfazerem as necessidades de seu tempo. A prática da arquitetura segundo esses princípios é denominada Arquitetura Sustentável. Este termo está intimamente ligado a dois conceitos: ao meio ambiente e à energia; e ainda apóia-se sobre três pilares: deve ser socialmente justo, economicamente viável e preservar o meio-ambiente.
O arquiteto sergipano, mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Ricardo Sampaio Nunes, afirma que na arquitetura sustentável, é necessário destacar a eficiência energética da edificação, a correta especificação dos materiais, a proteção da paisagem natural e o planejamento territorial, além do reaproveitamento de edifícios existentes. “Não se pode esquecer que a arquitetura, em seu caráter artístico, técnico e social, tem potencialidade para contribuir na mudança social para a sustentabilidade, para a coletivização dos processos urbanos”, relata.
Um projeto sustentável garante maior cuidado com as soluções propostas, tanto do ponto de vista ambiental quanto dos aspectos sociais, culturais e econômicos. O resultado final dessa nova arquitetura ecológica, verde e sustentável, proporciona grande vantagem para os clientes consumidores. Além de beneficiar o meio ambiente, garante o bem estar de seu usuário, e consequentemente ao profissional que projeta a arquitetura sustentável.
Ricardo Nunes tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Desenvolvimento Urbano Sustentável e atua principalmente em temas como Bambu, Sustentabilidade, Desenvolvimento Comunitário, Bioarquitetura, Arquitetura Ecológica e Sustentável. Em seus projetos arquitetônicos, ele utiliza o bambu, uma matéria prima que serve para várias utilidades na construção civil. “Embora o bambu possua uma força de tração paralela às fibras, similar a do aço, é mais leve que a madeira, o que o torna insubstituível em locais de difícil acesso, para vencer ousados vãos e balanços”, ressalta.
O bambu possui uma alta resistência de compressão transversal às fibras, sem, no entanto, roubar sua plasticidade natural. Sua flexibilidade permite construções em formas orgânicas, é utilizado como pilar, viga, caibro, ripa, telha, dreno, piso, revestimentos, se tratados adequadamente podem durar como madeira de lei.
As construtoras estão buscando maior eficiência econômica, redução dos danos ao meio ambiente e melhoria da qualidade de vida das pessoas nas fases do projeto, não só com materiais ecológicos. Um exemplo prático é a implantação de iniciativas como o sistema de coleta seletiva, sensor de presença, reuso de água e aquecimento a gás no chuveiro, que podem resultar numa diminuição em até 30% da taxa de condomínio, paga pelos moradores dos empreendimentos e na anterior redução de custos das empresas na compra de materiais.
Atualmente os edifícios são os principais responsáveis pelos impactos causados à natureza, pois consomem mais da metade de toda a energia usada nos países desenvolvidos e produzem mais da metade de todos os gases que vem modificando o clima. As abordagens arquitetônicas dos cenários ou planejamentos territoriais envolvem principalmente o uso de fatores naturais, como exposição à luz, para orientar a construção de edifícios de acordo com o caminho descrito pelo sol ou tornar as estruturas naturalmente ventiladas, aproveitando a direção natural dos ventos. Outra idéia de primordial importância é o planejamento do crescimento das cidades de forma a preservar áreas verdes e até mesmo criar ou ampliar essas áreas.
“É extremamente importante que o profissional da engenharia e arquitetura tenha em mente que todas as soluções encontradas não são perfeitas, sendo apenas uma tentativa de busca em direção a uma arquitetura mais sustentável”, ressalta a arquiteta e urbanista, doutora em História Urbana, Ana Maria Martins Farias. Para ela a elaboração de um projeto de arquitetura na busca por uma maior sustentabilidade deve considerar todo o ciclo de vida da edificação, incluindo seu uso, manutenção e sua reciclagem ou demolição.

Ecoprodutos ou Materiais Ecológicos

Ecoprodutos são todos materiais de origem artesanal ou industrializada, que sejam não-poluentes, atóxicos, benéficos ao meio ambiente e á saúde dos seres vivos, contribuindo para o desenvolvimento sustentável. Para saber se o material ou tecnologia é sustentável ou menos impactante é necessário responder algumas perguntas básicas: A matéria-prima é virgem ou reciclada? Como é extraída? É um recurso renovável? Qual é o processo produtivo? Apresenta baixo consumo de energia? E de água? O processo é poluente e gera que tipo de resíduos? O produto é poluente? Sua instalação, manutenção gera resíduos? Como é a logística de distribuição do produto? Consome muita energia? E a embalagem? Possui potencial de reciclagem ou de reuso? Possui algum tipo de certificação (tipo ISSO 14001) ou selo?
Um dos desafios da arquitetura contemporânea é o de conseguir desmistificar esse assunto e desenvolver projetos residenciais no interior das cidades, valendo-se dos conceitos de arquitetura sustentável e de desenvolvimento sustentável adaptados ao ambiente urbano e às condições locais de disponibilidade de materiais e mão-de-obra. Não se trata de alta tecnologia, sofisticada e cara, mas sim de soluções técnicas simples e acessíveis em projetos de arquitetura que têm como premissa conceitos de ecologia urbana e de planejamento ambiental, os quais dentre vários objetivos, destaca-se o da melhoria da qualidade de vida.

TÍFFANY TAVARES, ARQUITETA E ACADÊMICA DE JORNALISMO

Nenhum comentário:

Postar um comentário