Doce típico brasileiro de origem portuguesa com influencia africana. É assim multicultural a origem da iguaria vendida na quarta cidade mais antiga do país. Visitar São Cristóvão e não comer as tão tradicionais queijadinhas é fazer um passeio incompleto pela cidade histórica de belos monumentos.
O doce que apesar de levar o nome de queijo, nada tem de salgado. Trazido além mar pelos portugueses e modificado pelos escravos que aqui estavam . O queijo foi substituido pelo côco e o açúcar .
“Os escravos aprenderam a fazer a queijada com uma portuguesa que chegou aqui, só que era de queijo, aqui não tinha queijo, só tinha o côco, então eles modificaram, passaram de queijo para côco e ficou até hoje essa cocada”, disse dona Marieta à quituteira mais famosa da cidade.
“As daqui são as melhores do mundo”, completou em meio a gargalhadas. Disse também que com a venda da iguaria conseguiu se manter financeiramente. “Criei e eduquei meus filhos vendendo esse doce”,afirma orgulhosa.
A produção é artesanal e requer força de vontade para não deixar a tradição morrer. Dona Marieta, no entanto não acredita na preservação dessa cultura, que a foi passada por gerações. “Eu estou notando que a nova geração não quer mais aprender, tem que trabalhar com lenha e carvão e hoje eles querem outro tipo de vida, não querem trabalho pesado,”queixa-se.
Desde a época da escravidão a receita não sofreu muitas alterações. “Claro que a nossa avó não colocava margarina e hoje eu coloco, mas não tem nenhum segredo” revela a descendente de escravos.
Questionada sobre se poderia dar a receita, ela foi taxativa em dizer, “eu ensino, não tenho medo, agora é difícil acertar o ponto.”
Com quarenta e três anos fazendo queijadinha pra viver, ela faz questão de ressaltar que quem mantém o comercio dela é o turismo regional. “Os turistas de fora vêm aqui, comem uma e vão embora, agora o povo de Sergipe e de Aracaju é quem mantém isso aqui”.
A famosa iguaria antes encontrada em diversos pontos da cidade, agora se restringe a “Casa da Queijadinha”, estabelecimento da falante e simpática dona Marieta. “A venda na praça hoje só em períodos de festa”, finaliza ela deixando transparecer a dificuldade que é para manter-se com o comércio aberto na região.
Rafael Mota

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