terça-feira, 8 de setembro de 2009

Seminário IV

Olá pessoal, tudo bem?
inicio minha participação com o texto referente à minha parte nos seminários.
Inclusive enviarei para o e-mail de todos.

Pierre Levy nos faz viajar refletindo sobre a evolução tecnológica pela qual a humanidade vem passando. Ele nos compara a nômades, mas não os que buscam novos territórios, e sim os que buscam um “espaço invisível” de conhecimentos, saber, potências de pensamentos.
Levy nos leva a pensar que não mais podemos nos dar o luxo de ficarmos parados esperando que o mundo a nossa volta mude, achando que não temos nada a ver com isso. Pois ele mudará e nós não somos alheios a isso, pois somos móveis e essas mudanças acontecem, também, por nossa interferência. Pois estamos em uma época onde as transformações acontecem rapidamente e os seres humanos são peças fundamentais desse processo. Segundo Pierre Levy, “os primeiros nômades seguiam os rebanhos, que buscavam sozinhos seu alimento segundo as estações e as chuvas. Hoje “nomadizamos” atrás do futuro humano, um futuro que nos atravessa e que construímos. O ser humano tornou-se para si mesmo o clima, uma estação infinita e sem retorno”.
Ou seja, nossos ancestrais já passavam por transformações e eram obrigados a se adequarem a elas, no entanto não tinham como se comunicarem, difundindo as soluções encontradas por um ou outro indivíduo, o que certamente ajudaria, e muito, os outros que não conseguiram achar tal solução.
Com isso, Levy quer pôr em discussão o conceito de inteligência coletiva. Termo desenvolvido por ele e potencializado pela internet, que tem como princípio a soma de inteligências individuais compartilhadas por toda sociedade.
Para o filósofo francês “torna-se explícita, aberta e publicamente o aprendizado recíproco como mediação das relações entre homens. As identidades tornam-se identidades do saber. As consequências éticas dessa nova instituição da subjetividade são imensas: quem é o outro? É alguém que sabe o que eu não sei. O outro não é mais um ser assustador, ameaçador: como eu, ele ignora bastante e domina alguns conhecimentos”.
As pessoas deixam de dar importância às outras somente pelo nome, cargo que ocupa ou em que país elas vivem e, sim, passam a ver as outras pessoas como seres de grande potencial para aumentar o ciclo de conhecimento fundamental para a construção da inteligência coletiva. Pois ninguém sabe tudo, e todos sabem alguma coisa, com isso, temos que entender que cada um tem sua importância na construção das ideias. Ou seja, para Levy, o conhecimento se constrói com a junção de diversos “saberes”. Portanto não podemos menosprezar o que o outro conhece por mais ínfimo que nos pareça, porque com certeza é de grande importância para alguém. Pois dessa maneira, “o laço social na relação com o saber consiste em encorajar a extensão de uma civilidade desterritorializada”.
Com isso o avanço da tecnologia, mais precisamente o advento da internet veio para nos ajudar a construirmos o pensamento através da inteligência coletiva proposta por Levy, pois temos como difundir as ideias de forma muito mais rápida.
Algumas pessoas criticam o filósofo, pois dizem que a grande dificuldade da internet é o acesso, mas ele rebate dizendo que a escrita demorou aproximadamente 3000 anos para chegar ao estágio atual onde todos sabem ler e escrever (e mesmo assim, não são todas as pessoas que sabem). Para Levy, “o importante é ver o número de pessoas plugadas”.
Ele ainda situa a evolução do ciberespaço em cinco estágios: a oralidade, a escrita, o alfabeto, a imprensa e o ciberespaço.
Com o avanço tecnológico que vivemos não podemos monopolizar o saber e nem tampouco menosprezar a enorme importância que a troca de informações na rede pode nos oferecer. Ou seja, “interagindo com diversas comunidades, os indivíduos que animam o Espaço do saber, longe de ser os membros intercambiáveis de castas imutáveis, são ao mesmo tempo singulares, múltiplos, nômades e em vias de metamorfose (ou de aprendizado) permanente”.
No entanto, “coletivo não é necessariamente sinônimo de maciço e uniforme”, defende Levy. O que existe é a discussão de diversas idéias, a exposição de vários assuntos por diversos ângulos, dando-lhe a oportunidade de tirar e formar as suas próprias conclusões, tendo como meio facilitador um ambiente que lhe dá a possibilidade de ter opiniões de diversas pessoas de todas as partes do mundo ao mesmo tempo.

Lessio Cerqueira.

Um comentário:

  1. Realmente Levy tem bastante razão qunado diz que devemos dar mais importancia para as pessoas que menosprezamos, temos tantas coisas para aprender uns com os outros, e não é apenas nos entregarmos por completo ao mundo das mídias, pensando que lá vamos encontrar tudo que queremos ou que precisamos saber. Parabéns Lessio, você escreveu de uma forma bastante clara. MAISE ROCHA

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