Nesse processo de costura e recorte do texto, relacionamos a outras influencias textuais, imagens, culturas e valores adquiridos no decorrer da vida. Tornando-o assim um texto em constante construção, não voltado somente para si.
O texto passa a ser uma ponte para as nossas próprias, atualizações mentais, muitas vezes essas atualizações nada têm a ver com o autor, mas que serviram para aquilo que somos.
O hipertexto é isso, a conexão de áreas, de textos com outros textos, a seleção de coisas importantes.
Na leitura de um livro, o leitor pode até recortar, colar, tirar cópias, mas o texto inicial estará lá intacto no papel. Já na tela, o leitor explora e tem a possibilidade de construir o seu próprio texto, diante de janelas potenciais.
Se o computador for utilizado para realizar textos clássicos, ele será apenas mais avançado que uma maquina de escrever. Usar o computador como um meio para produzir textos, sons, imagens é negar a interatividade e as possibilidades adquiridas com ela.
A hipertextualização é a possibilidade de construir o seu próprio texto graças à agregação de outros. O suporte digital possibilita o acumulo de informações de um número extenso de pessoas. Diferentemente de um texto clássico, que mesmo estando na tela, não possibilitará anotações, desconstruções, reconstruções. O hipertexto nada mais é que um processo antigo de leitura, já que ler consiste em selecionar, agregar, associar à coisas e experiências externas.
Rafael Mota

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