sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Texto do Livro Cibercultura, de Pierre Lèvy, Parte III - PROBLEMAS

Existem conflitos de interesses e seus diversos pontos de vista no âmbito da cibercultura. Para Lévy o melhor uso da cibernética é com inteligência e imaginação humana. O que ele chama de inteligência coletiva é valorizada, variada, tida em tempo real e ainda otimiza competências. Por outro lado a cibercultura não é controlável porque diversos autores, projetos, diversas interpretações estão em conflito.

Já o ponto de vista das Mídias é propagado de acordo com seu interesse. No ponto de vista do bem público a web é um gigantesco documento entrelaçado que dialogam com uma multiplicidade de pontos de vista. À medida que a rede se autodescreve, ela se autoreproduz.

É afirmado que é um erro pensar que o virtual substitui o real, ou que as telecomunicações substituirão os deslocamentos físicos e contatos diretos. No âmbito cibernético quanto mais informações se acumulam, circulam, melhor são explorados e cresce a variedade de objetos e lugares físicos em contato com o internauta. É raro que um novo modo de comunicação ou de expressão substitua completamente os anteriores. Todos são complementares, com suas particularidades, pontos de vista e objetivos distintos. Cada novo veículo, cada nova qualidade cria uma qualidade de espaço, novas formas culturais, de dimensões inéditas ou (de outra forma) do mundo humano. O desenvolvimento do ciberespaço abre novos planos de existência nos modos de relação, nos modos de conhecimento, de aprendizagem e de pensamento e por fim nos gêneros literários e artísticos. Pode-se dizer que a internet policentraliza e não descentraliza o mundo real.

Enfim mesmo com todas as transformações ocorridas com os veículos, em especial a internet, Lévy resume que a cibercultura expressa uma mutação fundamental da própria essência da cultura. E é pura verdade.

Já o sociólogo, doutor em Filosofia e professor de Sociocibernética e Comunicação no Mestrado em Comunicação da UFF, Delfim Soares em seu artigo "Revolução Cibernética na Comunicação e Ilusão Democrática" afirma que todas as revoluções têm sistematicamente motivações mais ou menos democráticas e acabam se materializando como disfarces de novas formas de perpetuação da dominação das maiorias por minorias privilegiadas.

Delfim joga um ponto de vista para ser analisado: O mundo virtual, a cibernética, a internet são mais úteis para difundir o saber ou para perpetuar a marginalização da maioria? Da mesma forma, a história ainda não definiu claramente onde se situa o poder da comunicação: se tal poder está no monopólio da informação pelos grupos dominantes ou se está na ignorância generalizada entre as maiorias dominadas? Soares é mais incisivo ainda quando diz que todos somos cidadãos globais, numa sistemática e ingênua igualdade social.

Enfim, é preciso a fronteira entre a realização individual e a manipulação social que a rede cibernética delineia. A utopia democrática começa na ausência da percepção dos limites da manipulação ideológica.

TÍFFANY TAVARES

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